Blog do Amorim: Qual é a visão cristã da política?

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21 de setembro de 2026

Qual é a visão cristã da política?



Sobre a relação do cristão com a política, já postei no meu blog alguns artigos, por exemplo:

·    As Duas Cidades: Igreja, Estado e a Ética Cristã na Vida Pública, artigo que destaca a obra A Cidade de Deus, escrita por Agostinho de Hipona no século V, e que define a história e a vida pública a partir de dois amores fundamentais do coração humano: a Cidade de Deus, formada por aqueles que amam a Deus e buscam a justiça verdadeira, e a cidade terrena, guiada pelo amor-próprio e pela busca desordenada por poder e glória pessoal.

·   Cidadãos do Céu, Eleitores na Terra: a política sob a cosmovisão cristã, uma reflexão bíblica e histórica (cristã) sobre a relação entre a fé cristã e a esfera política... Esta frequentemente oscila entre o isolamento alienado e o ativismo ideológico, mas uma análise bíblica e histórica revela um caminho de engajamento consciente e responsável. Citei alguns políticos citados na Bíblia e na história...

·   A democracia é uma forma cristã de governo?, sobre e artigo do Ministério Got Questions que defende como sendo compatíveis a democracia e o cristianismo. Ou seja, essas ideias não são contraditórias. Na verdade, tem-se argumentado que a democracia funciona de forma mais eficaz em uma cultura cristã. Ao mesmo tempo, a democracia não é necessariamente uma forma cristã de governo. Não há nenhum aspecto necessário da democracia que exija absolutamente uma visão de mundo cristã. O cristianismo em si não exige a democracia ou qualquer outra forma de governo terreno.

Agora, nas linhas abaixo, quero compartilhar o artigo do  Compellingtruth.org[1], sob o título acima (traduzido e adaptado).

1.    O que diz a Bíblia?

O nível de participação cristã na política varia, mas os crentes podem concordar em alguns pontos com base no que a Bíblia ensina. As Escrituras ensinam que Deus é soberano, então os governantes estão em autoridade pela mão de Deus. Por causa disso, os cristãos devem submeter-se às autoridades governantes, a menos que isso nos force a comprometer o que Deus nos pediu para fazer. Os crentes também devem orar pelos nossos líderes. As Escrituras ensinam que devemos ser bons administradores dos papéis que Deus nos deu, incluindo os nossos deveres como cidadãos. Em todas as nossas posições, políticas ou não, devemos demonstrar e promover a justiça. Finalmente, a nossa participação na política, como em qualquer outra faceta da nossa vida, deve trazer glória a Deus.

2.    Do Antigo Testamento

·   Deus é soberano sobre toda a criação, incluindo o cenário político. Daniel 4.17 diz: "O Altíssimo governa o reino dos homens e o dá a quem quiser". Daniel 2.21 diz: " "Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis". Durante o tempo de Daniel, Deus tinha usado Nabucodonosor, o governante da Babilônia, para punir Judá.

·   As posições políticas são importantes. Nunca devemos defender posições que vão contra o que Deus considera injusto. Vários dos Provérbios ensinam que devemos defender a justiça:

=> “A justiça engrandece a nação, mas o pecado é vergonha para qualquer povo” (Pv 14.34).

=> “A maldade é detestável para o rei, pois seu governo é estabelecido sobre a justiça” (Pv 16.12).

=> “Absolver o culpado e condenar o inocente são duas coisas detestáveis para o Senhor” (Pv 17.15).

 

3.    Do Novo Testamento

·   O apóstolo Paulo escreveu: "Pois não há autoridade senão de Deus, e os que existem são constituídos por Deus" (Rm 13.1-2). Os cristãos podem ter certeza de que Deus está no controle, mesmo sobre a política de qualquer país e qualquer época em que vivam.

·   Com esta garantia, os cristãos não têm de abordar a política com medo ou desespero. Em vez disso, podemos manter a promessa de Romanos 8.28: "Para os que amam a Deus, todas as coisas trabalham juntas para o bem, isto é, para os que são chamados segundo o Seu propósito".

·   Os cristãos devem ver a política à luz do nosso papel como administradores dos dons de Deus. Jesus ensinou este conceito com a parábola dos talentos em Mateus 25.14-30:

“Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes”.

·   Lucas 12.48 explica: "Todo aquele a quem foi dado muito, muito lhe será exigido". Fazem parte disso os direitos e responsabilidades concedidos pelos cidadãos. Teremos de ser responsabilizados pelas nossas ações, incluindo a forma como participamos na política. Os cristãos nunca devem defender políticas que sejam claramente antibíblicas.

·   Primeira Coríntios 10.31 dá uma regra fundamental para participar no processo político: "seja lá o que fizer [do], faça tudo para a glória de Deus". Alguns cristãos se abstêm da política para concentrar sua energia na disseminação do evangelho. Outros cristãos estão muito envolvidos na política e até concorrem a cargos políticos. No entanto, outros cristãos escolhem um caminho intermediário, nem abstendo-se completamente da política nem concorrendo às eleições, mas tentando manter-se informados e votando de acordo com as suas convicções.

·   Todos os cristãos são chamados a rezar (orar) pelos seus líderes (1 Timóteo 2.1-6).:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”.

·   Pedro e João foram enfáticos, afirmando que sua principal prioridade era obedecer a Deus: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

4.    Implicações para hoje

Os cartazes "vote em", os anúncios do YouTube, os discursos... tão certo quanto tordos[2] e narcisos[3] anunciam a primavera, os cartazes, anúncios e discursos anunciam a temporada política. Dependendo do nível de envolvimento político, você silenciará anúncios ou gravará discursos. Como cristãos, como devemos abordar a política? Em primeiro lugar, não devemos preocupar-nos excessivamente com o resultado de uma eleição. Deus é soberano sobre todos, portanto, independentemente de quem ganhe, Deus providenciou isso dessa forma. No entanto, os cidadãos dos Estados Unidos da América têm um privilégio único que os de outros países não têm: participar no processo político mudará o curso da nação. Em segundo lugar, todos os cristãos fazem parte da família de Deus, por isso não devemos permitir que a participação política nos separe. Irritar-se com uma tia porque ela não quer colocar a placa do seu candidato favorito no seu jardim ou parar de falar com um primo porque ela não vai votar é colocar a política à frente comunhão cristã. No entanto, ficar completamente fora da política também pode não ser a melhor decisão. Deus nos tornou administradores do que nos abençoou, incluindo o país em que vivemos. É ingénuo pensar que as decisões políticas não afetam a nossa vida cristã. Questões morais como o aborto e o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo são importantes. Portanto, embora não exista um mandato bíblico para votar e saibamos que Deus vence aconteça o que acontecer, os crentes devem promover a justiça na sua participação política. Finalmente, em nossa política, como em qualquer outra faceta de nossas vidas, devemos dar glória a Deus: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31).

Em resumo: Os cristãos são chamados a respeitar e orar pelas autoridades governantes como líderes nomeados por Deus, participando da política sem comprometer a verdade bíblica. Seja ativa ou discretamente, nossa participação política deve honrar a Deus, promover a justiça e refletir a administração fiel dos papéis que Ele nos confiou.

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Notas: 

[1] COMPELLINGTRUTH. “¿Cuál es la visión cristiana de la política?”. Disponível em: <https://www.compellingtruth.org/Espanol/politica-cristiano.html >. Acesso em: 18/09/2026. 

[2] Tordo: ave pertencente ao género Turdus, natural da Europa, Norte de África, Médio Oriente e Sibéria, que tem como símbolo a “Voz do Povo”, e que ecoa no silêncio e uma faísca de liberdade.

[3] Narcisos: flores ornamentais conhecidas por suas pétalas brancas ou amarelas e forte simbolismo ligado ao renascimento. Planta originária da região do Mediterrâneo, Ásia central e China. Possue folhas verde-intensas e alongadas, com flores que possuem pétalas externas e uma estrutura central em formato de trombeta ou coroa. Representam renovação, esperança e recomeços, mas também remetem à lenda mitológica de Narciso.

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Um comentário:

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