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31 de julho de 2026

O espantalho

 Por: Alcides Amorim 


Ainda menino, por volta dos dez anos de idade, costumava ajudar meu pai na pequena lavoura de arroz, no estado do Paraná. Uma de minhas tarefas era espantar os passarinhos que, em bandos, desciam sobre a terra recém-semeada para comer os grãos antes que germinassem. Munido de um estilingue, algumas pedras e muita disposição, passava boa parte do tempo correndo de um lado para outro, gritando e batendo palmas para afastá-los. No meio da lavoura havia também um espantalho. Vestia roupas velhas, usava um chapéu de palha e permanecia imóvel, como um sentinela. Sua missão era a mesma que a minha. Mas os passarinhos logo descobriram que ele era incapaz de lhes causar qualquer ameaça. Em pouco tempo, já pousavam tranquilamente sobre seus braços, indiferentes à sua presença. Minhas ações – enquanto eu estava presente na lavoura - que os espantavam.

Recentemente, deparei-me com uma simulação digitalizada, uma imagem sintética – mas esta falava! – que recriava a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro sob uma estética peculiar já que o mesmo não podia comparecer nem falar. Confesso que a imagem não me fez rir. Ela me fez pensar.

A analogia com a infância saltou-me aos olhos, mas por uma lógica estritamente inversa. Na política brasileira atual, o "espantalho" não foi esvaziado pelo tempo; ele foi transformado em um alvo fixo por aqueles que temem o que ele representa. Fora do embate eleitoral direto, cassado e silenciado pelas engrenagens do sistema, Bolsonaro foi forçado a ficar imóvel como aquele sentinela da lavoura de arroz. No entanto, ao contrário do boneco de palha da minha infância, a simples simulação de sua imagem ainda é capaz de causar calafrios e reações desmedidas em uma vasta ala do cenário nacional. Quem são, afinal, estes "muitos" que ainda se espantam com a mera projeção de sua figura?

Os primeiros a se assustarem são os ocupantes dos altos gabinetes de Brasília e os burocratas institucionais. Para esse establishment, a figura de Bolsonaro nunca foi apenas a de um indivíduo, mas o canalizador de uma força popular conservadora que eles não conseguem compreender nem controlar. Cada inquérito, cada barreira jurídica e cada tentativa de apagamento político funcionam como pedradas de um estilingue institucional contra o sentinela. O pânico deles reside no fato de que, mesmo amarrado ao poste da inelegibilidade, a sombra do espantalho continua projetando a vontade de milhões de brasileiros que recusam o pensamento único.

O espanto estende-se também à velha imprensa e à elite cultural, que assistem, perplexas, à eficácia da imagem sobre o argumento. Para esses setores, o debate deveria ser controlado por narrativas acadêmicas e discursos herméticos. Mas a imagem sintética e popular de Bolsonaro atua como um curto-circuito nesse monopólio. Ela dialoga diretamente com o homem comum, com o produtor rural e com o trabalhador que enxergam naquela silhueta uma defesa de seus valores mais profundos: a família, a liberdade e a pátria. Os "donos do debate" se apavoram porque percebem que nenhuma teoria sociológica sofisticada consegue anular a conexão visceral gerada por um simples aceno ou por um meme que circula no WhatsApp ou YouTube.

Essa perseguição obsessiva ganha contornos de engenharia social em tempos de inteligência artificial. Estamos debatendo pessoas reais ou espantalhos cuidadosamente inflados para justificar o arbítrio? O sistema constrói uma caricatura monstruosa do líder conservador para, sob o pretexto de combater um "perigo iminente", avançar sobre as liberdades individuais de qualquer cidadão comum. Cria-se o espantalho do extremismo para que a sociedade aceite, anestesiada, a censura e o silenciamento de vozes dissonantes.

O paradoxo da lavoura ou do espantalho contemporâneos é revelador. Enquanto os poderosos gastam energia, tempo e recursos públicos tentando desestabilizar e rasgar o manto daquele que decidiram isolar, a semente da direita conservadora continua germinando no solo brasileiro. A política atual fabrica o medo em torno de um homem silenciado porque sabe que, no fundo, o verdadeiro perigo para o sistema não é o boneco ou a imagem - que fala em seu nome – em si. O verdadeiro temor da elite é o despertar da imensa plantação que aprendeu a olhar para o horizonte sem medo dos predadores da liberdade.

E por falar em liberdade – mas nem tanto, diante do cerceamento que testemunhamos disfarçado de legalidade –, fico por aqui. A tentativa obsessiva de silenciar uma liderança e, por tabela, os milhões que nela se enxergam, apenas evidencia o quanto as nossas liberdades fundamentais estão sob constante ameaça daqueles que deveriam protegê-las. Recordo-me, neste momento, da advertência do filósofo e pensador político conservador Edmund Burke: "O povo nunca entrega suas liberdades, exceto sob alguma ilusão". No Brasil atual, a ilusão vendida é a de que, derrubando o espantalho, a colheita estará segura; a dura realidade, porém, é que o verdadeiro alvo das foices institucionais sempre foi a nossa própria capacidade de plantar e colher em liberdade.

28 de julho de 2026

De que forma o relativismo cultural influencia a sociedade?

O que diz a Bíblia?

O relativismo cultural é o princípio de que as crenças e práticas de uma pessoa devem ser compreendidas e avaliadas dentro de seu próprio contexto cultural, em vez de serem julgadas pelos padrões de outra cultura. A Bíblia não aborda diretamente o relativismo cultural, pois esse conceito surgiu muito depois da escrita das Escrituras. No entanto, ela fornece princípios para a compreensão das diferenças culturais, mantendo padrões morais absolutos. A Palavra de Deus reconhece a diversidade entre os povos (Atos 17:26-27), ao mesmo tempo que afirma verdades universais e absolutos morais (Êxodo 20:1-17; Romanos 2:14-15). A Bíblia ensina que, embora os costumes possam variar, os padrões de justiça de Deus permanecem constantes (Malaquias 3:6). Ela também mostra como Deus agiu em diversos contextos culturais para revelar a Sua verdade (Atos 17:22-31), embora tenha chamado as pessoas a um padrão mais elevado com base em Seu caráter e em Seus mandamentos (Levítico 18:1-5; 1 Pedro 1:14-16).

Do Antigo Testamento

·     Gênesis 18:25: “Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio e tratar justo e ímpio da mesma maneira! Longe de ti! Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” Abraão apela para um padrão universal de justiça, sugerindo absolutos morais que transcendem a cultura.

·     Levítico 18:3-4: “Não farão como fazem na terra do Egito, onde viveram, nem como fazem na terra de Canaã, para onde os estou levando; não andarão nos seus estatutos. Guardarão as minhas leis, observarão os meus estatutos e andarão neles. Eu sou o Senhor, seu Deus.” Deus chama o seu povo a seguir os seus padrões, em vez dos das culturas vizinhas.

·     Deuteronômio 12:28: “Tenham o cuidado de obedecer a todas estas palavras que eu lhes ordeno, para que tudo lhes corra bem, a vocês e aos seus filhos depois de vocês, para sempre, porque vocês estarão fazendo o que é bom e reto aos olhos do Senhor, o seu Deus.” Este versículo enfatiza a obediência aos mandamentos de Deus como padrão para uma vida correta, independentemente das normas culturais.

·     Jeremias 10:2-3: “Assim diz o Senhor:Não aprendam os costumes das nações, nem se assustem com os sinais do céu, ainda que as nações se assustem com eles, pois os costumes dos povos são inúteis…’” Isso nos adverte contra a adoção cega de práticas culturais que contradizem os caminhos de Deus.

Do Novo Testamento

·     Atos 17:26-27: “De um só homem Deus fez todas as nações, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos onde deveriam viver. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós.” Paulo reconhece a diversidade cultural, ao mesmo tempo que afirma uma origem e um propósito comuns para toda a humanidade.

·     Romanos 12:2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Este versículo encoraja os crentes a avaliarem os padrões culturais comparando-os aos padrões de Deus.

·     1 Coríntios 9:19-23: Paulo descreve como se tornar "tudo para todos" a fim de ganhá-los para Cristo, demonstrando adaptabilidade cultural e, ao mesmo tempo, mantendo a verdade do evangelho.

·     Colossenses 2:8: “Cuidado para que ninguém os engane com filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.” Aqui estão advertências contra filosofias, incluindo o relativismo cultural, que podem contradizer os ensinamentos de Cristo.

·     1 Pedro 1:14-16: “Como filhos obedientes, não se conformem com os maus desejos que vocês tinham quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito:Sejam santos, porque eu sou santo’”. Pedro chama os crentes a um padrão de santidade que transcende as normas culturais.

Implicações para hoje

O relativismo cultural influencia significativamente a forma como a sociedade moderna aborda questões éticas e interações interculturais. Para os cristãos, ele apresenta tanto desafios quanto oportunidades. Por um lado, promove o respeito pelas diferenças culturais e pode gerar empatia e compreensão em um mundo cada vez mais globalizado. Isso está em consonância com os princípios bíblicos de amar o próximo (Marcos 12:31) e ser sensível à consciência alheia (1 Coríntios 8:9-13). Contudo, levado às últimas consequências, o relativismo cultural pode minar o conceito de verdade absoluta e moralidade. Pode gerar ambiguidade moral e relutância em abordar práticas nocivas que podem ser culturalmente aceitáveis ​​em algumas sociedades. Os cristãos precisam navegar por essa tensão, respeitando a diversidade cultural e, ao mesmo tempo, defendendo os padrões bíblicos de verdade e moralidade. Para os crentes individualmente, o relativismo cultural apresenta o desafio de discernir entre preferências culturais e mandamentos bíblicos. Na sociedade em geral, o relativismo cultural influencia debates sobre direitos humanos, direito internacional e políticas sociais. Embora o relativismo cultural ofereça perspectivas valiosas para a compreensão de sociedades diversas, os cristãos são chamados a um padrão mais elevado: a conformidade com Cristo, não com a cultura (Romanos 8:29).

Entender

·     O relativismo cultural avalia a moralidade através de contextos culturais individuais, em vez de normas externas.

·     O relativismo cultural incentiva o conhecimento de outras culturas, mas pode minar o conceito de verdade absoluta e moralidade.

·     Os cristãos devem se esforçar para discernir a diferença entre preferências culturais e mandamentos bíblicos.

Refletir

·     De que forma a compreensão do relativismo cultural influencia o seu relacionamento com pessoas de diferentes origens, mantendo ao mesmo tempo os seus valores cristãos?

·     De que forma a tensão entre o relativismo cultural e a moralidade bíblica desafia sua resposta, mantendo, ao mesmo tempo, a fidelidade aos padrões de Deus?

·     Como você pode lidar pessoalmente com práticas culturais que conflitam com os ensinamentos bíblicos, demonstrando ainda amor e respeito pelos outros?

Coloque em prática

·     Enquanto os costumes locais não violarem os padrões bíblicos, o respeito cultural pode ser uma ferramenta eficaz. Isso não significa que o relativismo cultural seja uma fonte ética válida. A humanidade é falível, assim como nossas culturas. O consenso geral não dita o que é certo e errado. Deus ordenou aos israelitas que aniquilassem nações inteiras que valorizavam sua própria cultura acima da lei de Deus. Deus é a fonte da moralidade (Deuteronômio 12:28), e Sua Palavra é o padrão pelo qual você deve viver.

Fonte:

COMPELLINGTRUTH.org. De que forma o relativismo cultural influencia a sociedade? (texto e imagem adaptados). Disponível em: https://www.compellingtruth.org/Espanol/relativismo-cultural.html. Acesso em: 28/07/2026.

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Veja mais:

AMORIM, Alcides Barbosa de. "Fé, cultura e razão: fundamentos éticos da cosmovisão protestante". Pindamonhangaba/SP. Clube de Autores: 2026. Livro à venda em: https://clubedeautores.com.br/livro/fe-cultura-e-razao.  Veja o Sumário a seguir: