Blog do Amorim: Política

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13 de outubro de 2026

Eleições (2): votações para presidente da república - Primeiro Turno

 

A Constituição Federal de 1988, conhecida como a "Constituição Cidadã", restabeleceu a democracia no Brasil e definiu as regras fundamentais do nosso sistema político. Entre os seus principais pilares está a divisão e a harmonia entre os três Poderes da União: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo. Essa estrutura visa garantir o equilíbrio democrático, impedindo a centralização de forças e assegurando que cada esfera atue dentro de suas competências constitucionais.

Dentro desse arranjo, o Poder Executivo Federal assume um papel central na administração do Estado e na execução de políticas públicas. Chefiado pelo Presidente da República, o Executivo não apenas gerencia a máquina pública e o orçamento, mas também representa o país internacionalmente e possui a prerrogativa de propor leis e governar em nome dos anseios populares. Devido à magnitude desse cargo, a Carta Magna dedicou regras rigorosas para a escolha de seu representante.

Foi justamente a Constituição de 1988 que consolidou o sistema de eleições em dois turnos para os cargos majoritários do Executivo, como a Presidência. Esse mecanismo exige que o candidato vitorioso obtenha a maioria absoluta dos votos válidos (mais de 50%) para ser eleito logo na primeira etapa. Caso nenhum postulante alcance essa marca no primeiro domingo de outubro, a disputa se estende para uma nova votação, garantindo maior legitimidade popular ao governante escolhido.

Diante da ausência de maioria absoluta na primeira etapa, o ápice desse processo democrático se materializa no dia 25 de outubro, data marcada para o segundo turno das Eleições de 2026. Neste dia, o eleitorado retorna às urnas para a decisão final entre os dois candidatos mais votados no início do mês. Esse momento crucial define quem assumirá as rédeas do Poder Executivo Federal, consolidando a soberania popular projetada pelos constituintes de 1988.

Confira o desempenho detalhado de Flávio, Lula e demais candidatos por estado e região, e entenda as bases eleitorais que definirão o novo chefe do Executivo Federal no segundo turno, em 25 de outubro.

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Votações para presidente - 1º Turno

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9 de outubro de 2026

Eleições 2026 (1): Poder Legislativo Federal

 


As eleições de 2026 no Brasil determinam a nova composição do Poder Legislativo, incluindo a renovação de cadeiras no Senado Federal e a totalidade das vagas para Deputados Federais, além da composição das Assembleias Legislativas em todas as Unidades da Federação. Destacamos no arquivo em anexo as composições do Senado e da Câmara dos Deputados, ou seja, o Legislativo Federal.

Acesse:


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Eleições 2026 (1): Poder Legislativo Federal

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2 de outubro de 2026

O credo petista é irreconciliável com a fé cristã

Por: Franklin Ferreira

Conservadores e religiosos foram satirizados em desfile que homenageava Lula no carnaval
carioca de 2026. Foto: Antonio Lacerda/EFE)


Católicos e protestantes podem divergir legitimamente sobre economia, impostos, tamanho do Estado, políticas sociais, segurança pública e muitas outras questões políticas.

Isso, porém, não significa que todas as escolhas políticas sejam moralmente equivalentes. A fé cristã estabelece convicções que alcançam necessariamente a vida pública: a dignidade da vida humana, a família, a ética sexual, a responsabilidade dos pais na educação dos filhos, a liberdade religiosa e de consciência, a proteção dos vulneráveis e os limites do poder político.

É à luz dessas convicções que o Partido dos Trabalhadores deve ser examinado. A pergunta que deve orientar os cristãos é simples: o projeto político do PT é compatível com os fundamentos da ética cristã histórica?

A vida humana não é uma questão secundária

Para católicos e protestantes, proteger a vida humana inocente não é uma “pauta de costumes”. É consequência direta da doutrina da criação: todo ser humano porta a imagem de Deus. Por isso, a defesa do mais vulnerável, inclusive no ventre materno, pertence ao coração da ética cristã.

É justamente aqui que surge um conflito concreto com posições promovidas pelo PT. O atual programa Lula-Alckmin reafirma a defesa dos “direitos sexuais e reprodutivos”, enquanto o próprio partido divulgou, em 2025, propostas aprovadas na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, entre elas “legalizar e implementar o aborto universal e humanizado em todos os serviços do SUS”. O Ministério da Saúde, por sua vez, afirma atualmente que o aborto deve ser tratado como condição de saúde pública “sem julgamentos”, embora reconheça as três hipóteses previstas na legislação brasileira.

Para a ética cristã, porém, a pretensão de transformar o aborto em um “direito de escolha” da mulher não pode se sobrepor ao direito à vida daquele que ainda não pode falar nem se defender. A pergunta que permanece é simples e decisiva: quem protege o nascituro? Nesse ponto, o conflito não é periférico. É moral, antropológico e profundamente cristão.

Família e sexualidade: duas antropologias em conflito

A divergência não diz respeito apenas a políticas públicas específicas, mas à própria compreensão do ser humano.

Católicos e protestantes possuem diferenças importantes, mas convergem nos fundamentos da antropologia cristã: Deus criou o ser humano homem e mulher; o corpo e o sexo possuem significado dado pelo Criador; o casamento é a união entre homem e mulher; e a família é uma realidade anterior ao Estado. A sexualidade, portanto, não é definida pelos desejos ou pelas escolhas do indivíduo.

O PT parte de pressupostos distintos. Seus documentos e políticas incorporam conceitos de identidade de gênero, diversidade sexual e autodeterminação, promovidos como expressão de direitos e combate à discriminação.

Cristãos devem defender a dignidade de toda pessoa e condenar violência, humilhação e injustiça contra homossexuais ou qualquer outro grupo. Isso, porém, não exige aceitar uma concepção do ser humano incompatível com a doutrina cristã da criação.

Estamos, portanto, diante de duas antropologias distintas. A questão é qual compreensão de pessoa, corpo, sexo, casamento e família será transformada em política de Estado.

Quem tem o direito de educar nossos filhos?

Na educação, as consequências dessas duas concepções tornam-se particularmente claras. Para a tradição cristã, católica e protestante, os pais são os primeiros responsáveis pela educação e formação moral dos filhos. O Estado tem responsabilidades importantes, mas não é proprietário das crianças nem pode substituir a consciência e a autoridade da família.

O problema surge quando a escola deixa de se limitar à transmissão do conhecimento e passa a ser utilizada para formar crianças segundo concepções ideológicas sobre sexo, gênero, sexualidade e família. Políticas defendidas pelo PT incorporam essas categorias à educação e às ações governamentais, transformando questões profundamente controversas em conteúdo a ser promovido pelo poder público.

Ensinar uma criança a respeitar todas as pessoas é dever elementar de civilidade. Outra coisa é ensinar como verdade uma determinada concepção de identidade, corpo e sexualidade e tratar as convicções cristãs como preconceito a ser superado.

Para famílias católicas e protestantes, portanto, a questão é fundamental: a quem pertence a responsabilidade primária pela formação moral dos filhos – aos pais ou ao Estado?

Liberdade religiosa é mais do que liberdade de culto

Liberdade religiosa não significa apenas manter igrejas abertas e permitir cultos aos domingos. Significa também assegurar aos cristãos o direito de professar, ensinar e defender publicamente aquilo em que creem.

O conflito surge quando convicções cristãs sobre casamento, sexualidade e identidade humana são confrontadas com concepções cada vez mais amplas de discriminação. O Estado deve proteger homossexuais contra violência, perseguição e injustiça. Mas deve igualmente proteger o padre, pastor, professor ou cidadão cristão que afirma publicamente que o casamento é a união entre homem e mulher e que a sexualidade possui limites morais estabelecidos por Deus.

O problema começa quando discordância moral passa a ser tratada como discriminação e, consequentemente, como conduta a ser reprimida pelo Estado.

Por isso, propostas legislativas e políticas defendidas pelo PT nessa área exigem atenção especial dos cristãos. A questão não é simplesmente se o governo fechará igrejas. É muito mais profunda: continuará existindo liberdade para os cristãos permanecerem fiéis às suas convicções quando estas contrariarem a moral promovida pelo Estado?

Corrupção, poder e instituições

A corrupção é uma questão moral fundamental para a tradição cristã. A Escritura condena o suborno, a perversão da justiça e o abuso de autoridade, exigindo integridade daqueles que exercem o poder.

O histórico dos governos petistas inclui graves escândalos de corrupção. No mensalão, o próprio STF condenou dirigentes do PT, entre eles José Dirceu e José Genoino. A Lava Jato, por sua vez, revelou esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras, operadores e políticos de diversos partidos. Mais recentemente, as investigações sobre as fraudes no INSS produziram novos desdobramentos, incluindo um inquérito da PF sobre suspeitas envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula.

Também preocupa a proximidade entre poder político e Judiciário. Toffoli foi advogado do PT; Zanin, advogado pessoal de Lula; Dino, seu ministro da Justiça. Somados às controvérsias provocadas por decisões recentes desses ministros em questões políticas, esses vínculos alimentam questionamentos sobre independência e imparcialidade do STF.

A exigência bíblica permanece: governantes devem prestar contas, juízes devem agir com imparcialidade e nenhuma autoridade está acima da lei. Corrupção, abuso de poder e instrumentalização das instituições são incompatíveis com a justiça que os cristãos devem exigir de qualquer governo.

O problema dos regimes totalitários

Há ainda uma contradição que deveria preocupar especialmente os cristãos: a proximidade do PT com regimes totalitários ideologicamente próximos.

Em janeiro de 2026, a Executiva Nacional do partido manifestou “total apoio” a Cuba e reafirmou sua defesa da “Revolução Cubana e seus ideais de justiça social”. Na Venezuela, mesmo após anos de repressão e autoritarismo de Nicolás Maduro, o PT condenou a captura do ditador pelos Estados Unidos e manifestou solidariedade ao regime.

Não há justificativa moral para silenciar diante de ditaduras que perseguem opositores, censuram a imprensa, manipulam eleições, controlam instituições, reprimem dissidentes e restringem a liberdade religiosa e de consciência.

Afinidades ideológicas ou interesses geopolíticos tampouco justificam a proximidade com China, Rússia e Irã ou com o grupo terrorista Hamas. A contradição é particularmente evidente quando um partido que se apresenta no Brasil como defensor dos direitos dos homossexuais mantém relações políticas com governos que reprimem essas mesmas pessoas.

Para o cristão, o princípio deve ser claro: nenhuma ditadura se torna moralmente aceitável por invocar socialismo, anti-imperialismo ou justiça social. A tirania continua sendo tirania, qualquer que seja sua bandeira.

O voto também é uma questão de consciência

O cristão não entra na cabine eleitoral deixando sua fé do lado de fora. O voto é também um ato de consciência e, portanto, deve estar submetido às convicções que professamos diante de Deus. Afinal, votar tem consequências concretas: elegemos pessoas que tomarão decisões sobre vida, família, educação, liberdade religiosa, justiça, segurança e os limites do poder estatal.

Também não devemos idealizar candidatos como se estivéssemos escolhendo clérigos ou modelos de perfeição moral. Não elegemos pastores, mas presidentes, senadores e deputados para exercer funções civis. Como Victor Davis Hanson tem observado, apoiar um político não significa canonizar sua vida pessoal. É preciso considerar seu caráter, mas também o que fará no cargo: as políticas que promoverá, as pessoas que nomeará e as instituições que fortalecerá ou enfraquecerá. Exigir perfeição moral dos candidatos é ingenuidade; ignorar seus princípios, suas propostas e as consequências de sua eleição também é.

À luz do que examinamos, as divergências entre princípios históricos do cristianismo e posições assumidas pelo PT alcançam questões fundamentais: vida nascente, sexualidade, família, autoridade dos pais, liberdade de consciência, corrupção, independência das instituições e relações com regimes totalitários. Políticas sociais consideradas positivas não eliminam essas divergências.

João Calvino advertiu aqueles que receberam a liberdade de escolher seus governantes: “E vós, ó povos, a quem Deus deu a liberdade de escolher seus próprios magistrados, cuidem-se de não se privarem deste favor, elegendo para a posição de mais alta honra, patifes e inimigos de Deus”.

A questão decisiva, portanto, não é qual partido ou candidato é perfeito. Nenhum é. É outra, mais séria: à luz daquilo que creio diante de Deus, a quem posso entregar meu voto sem contradizer os princípios da fé que professo?

O voto é secreto, mas a responsabilidade moral de quem vota não.

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Fonte:

FERREIRA, FRANKLIN. O credo petista é irreconciliável com a fé cristã. In. Gazeta do Povo, 1º/10/2026. Texto e imagem disponíveis em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/franklin-ferreira/plataformas-pt-incompativeis-cristianismo/. Acesso em: 02/10/2026

21 de setembro de 2026

Qual é a visão cristã da política?



Sobre a relação do cristão com a política, já postei no meu blog alguns artigos, por exemplo:

·    As Duas Cidades: Igreja, Estado e a Ética Cristã na Vida Pública, artigo que destaca a obra A Cidade de Deus, escrita por Agostinho de Hipona no século V, e que define a história e a vida pública a partir de dois amores fundamentais do coração humano: a Cidade de Deus, formada por aqueles que amam a Deus e buscam a justiça verdadeira, e a cidade terrena, guiada pelo amor-próprio e pela busca desordenada por poder e glória pessoal.

·   Cidadãos do Céu, Eleitores na Terra: a política sob a cosmovisão cristã, uma reflexão bíblica e histórica (cristã) sobre a relação entre a fé cristã e a esfera política... Esta frequentemente oscila entre o isolamento alienado e o ativismo ideológico, mas uma análise bíblica e histórica revela um caminho de engajamento consciente e responsável. Citei alguns políticos citados na Bíblia e na história...

·   A democracia é uma forma cristã de governo?, sobre e artigo do Ministério Got Questions que defende como sendo compatíveis a democracia e o cristianismo. Ou seja, essas ideias não são contraditórias. Na verdade, tem-se argumentado que a democracia funciona de forma mais eficaz em uma cultura cristã. Ao mesmo tempo, a democracia não é necessariamente uma forma cristã de governo. Não há nenhum aspecto necessário da democracia que exija absolutamente uma visão de mundo cristã. O cristianismo em si não exige a democracia ou qualquer outra forma de governo terreno.

Agora, nas linhas abaixo, quero compartilhar o artigo do  Compellingtruth.org[1], sob o título acima (traduzido e adaptado).

1.    O que diz a Bíblia?

O nível de participação cristã na política varia, mas os crentes podem concordar em alguns pontos com base no que a Bíblia ensina. As Escrituras ensinam que Deus é soberano, então os governantes estão em autoridade pela mão de Deus. Por causa disso, os cristãos devem submeter-se às autoridades governantes, a menos que isso nos force a comprometer o que Deus nos pediu para fazer. Os crentes também devem orar pelos nossos líderes. As Escrituras ensinam que devemos ser bons administradores dos papéis que Deus nos deu, incluindo os nossos deveres como cidadãos. Em todas as nossas posições, políticas ou não, devemos demonstrar e promover a justiça. Finalmente, a nossa participação na política, como em qualquer outra faceta da nossa vida, deve trazer glória a Deus.

2.    Do Antigo Testamento

·   Deus é soberano sobre toda a criação, incluindo o cenário político. Daniel 4.17 diz: "O Altíssimo governa o reino dos homens e o dá a quem quiser". Daniel 2.21 diz: " "Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis". Durante o tempo de Daniel, Deus tinha usado Nabucodonosor, o governante da Babilônia, para punir Judá.

·   As posições políticas são importantes. Nunca devemos defender posições que vão contra o que Deus considera injusto. Vários dos Provérbios ensinam que devemos defender a justiça:

=> “A justiça engrandece a nação, mas o pecado é vergonha para qualquer povo” (Pv 14.34).

=> “A maldade é detestável para o rei, pois seu governo é estabelecido sobre a justiça” (Pv 16.12).

=> “Absolver o culpado e condenar o inocente são duas coisas detestáveis para o Senhor” (Pv 17.15).

 

3.    Do Novo Testamento

·   O apóstolo Paulo escreveu: "Pois não há autoridade senão de Deus, e os que existem são constituídos por Deus" (Rm 13.1-2). Os cristãos podem ter certeza de que Deus está no controle, mesmo sobre a política de qualquer país e qualquer época em que vivam.

·   Com esta garantia, os cristãos não têm de abordar a política com medo ou desespero. Em vez disso, podemos manter a promessa de Romanos 8.28: "Para os que amam a Deus, todas as coisas trabalham juntas para o bem, isto é, para os que são chamados segundo o Seu propósito".

·   Os cristãos devem ver a política à luz do nosso papel como administradores dos dons de Deus. Jesus ensinou este conceito com a parábola dos talentos em Mateus 25.14-30:

“Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes”.

·   Lucas 12.48 explica: "Todo aquele a quem foi dado muito, muito lhe será exigido". Fazem parte disso os direitos e responsabilidades concedidos pelos cidadãos. Teremos de ser responsabilizados pelas nossas ações, incluindo a forma como participamos na política. Os cristãos nunca devem defender políticas que sejam claramente antibíblicas.

·   Primeira Coríntios 10.31 dá uma regra fundamental para participar no processo político: "seja lá o que fizer [do], faça tudo para a glória de Deus". Alguns cristãos se abstêm da política para concentrar sua energia na disseminação do evangelho. Outros cristãos estão muito envolvidos na política e até concorrem a cargos políticos. No entanto, outros cristãos escolhem um caminho intermediário, nem abstendo-se completamente da política nem concorrendo às eleições, mas tentando manter-se informados e votando de acordo com as suas convicções.

·   Todos os cristãos são chamados a rezar (orar) pelos seus líderes (1 Timóteo 2.1-6).:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”.

·   Pedro e João foram enfáticos, afirmando que sua principal prioridade era obedecer a Deus: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

4.    Implicações para hoje

Os cartazes "vote em", os anúncios do YouTube, os discursos... tão certo quanto tordos[2] e narcisos[3] anunciam a primavera, os cartazes, anúncios e discursos anunciam a temporada política. Dependendo do nível de envolvimento político, você silenciará anúncios ou gravará discursos. Como cristãos, como devemos abordar a política? Em primeiro lugar, não devemos preocupar-nos excessivamente com o resultado de uma eleição. Deus é soberano sobre todos, portanto, independentemente de quem ganhe, Deus providenciou isso dessa forma. No entanto, os cidadãos dos Estados Unidos da América têm um privilégio único que os de outros países não têm: participar no processo político mudará o curso da nação. Em segundo lugar, todos os cristãos fazem parte da família de Deus, por isso não devemos permitir que a participação política nos separe. Irritar-se com uma tia porque ela não quer colocar a placa do seu candidato favorito no seu jardim ou parar de falar com um primo porque ela não vai votar é colocar a política à frente comunhão cristã. No entanto, ficar completamente fora da política também pode não ser a melhor decisão. Deus nos tornou administradores do que nos abençoou, incluindo o país em que vivemos. É ingénuo pensar que as decisões políticas não afetam a nossa vida cristã. Questões morais como o aborto e o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo são importantes. Portanto, embora não exista um mandato bíblico para votar e saibamos que Deus vence aconteça o que acontecer, os crentes devem promover a justiça na sua participação política. Finalmente, em nossa política, como em qualquer outra faceta de nossas vidas, devemos dar glória a Deus: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31).

Em resumo: Os cristãos são chamados a respeitar e orar pelas autoridades governantes como líderes nomeados por Deus, participando da política sem comprometer a verdade bíblica. Seja ativa ou discretamente, nossa participação política deve honrar a Deus, promover a justiça e refletir a administração fiel dos papéis que Ele nos confiou.

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Notas: 

[1] COMPELLINGTRUTH. “¿Cuál es la visión cristiana de la política?”. Disponível em: <https://www.compellingtruth.org/Espanol/politica-cristiano.html >. Acesso em: 18/09/2026. 

[2] Tordo: ave pertencente ao género Turdus, natural da Europa, Norte de África, Médio Oriente e Sibéria, que tem como símbolo a “Voz do Povo”, e que ecoa no silêncio e uma faísca de liberdade.

[3] Narcisos: flores ornamentais conhecidas por suas pétalas brancas ou amarelas e forte simbolismo ligado ao renascimento. Planta originária da região do Mediterrâneo, Ásia central e China. Possue folhas verde-intensas e alongadas, com flores que possuem pétalas externas e uma estrutura central em formato de trombeta ou coroa. Representam renovação, esperança e recomeços, mas também remetem à lenda mitológica de Narciso.

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7 de setembro de 2026

William Wilberforce: fé, política e a luta pela dignidade humana

Por: Alcides Amorim

“No século XVIII, a Inglaterra detinha o o monopólio do comércio de escravos negros. Os meios de transporte eram os mais cruéis imagináveis. Boa parte da população inglesa tirava proveito desse comércio, e o povo, de maneira geral, aceitava a escravidão... Mas Deus graciosamente ergueu uma geração de políticos cristãos para lutar contra o que William Carey chamou de ‘maldito comércio de escravos’...” [1]

William Wilberforce (1759-1833) [2]

Ao escrever o artigo Cidadãos do Céu, Eleitores na Terra: a política sob a cosmovisão cristã, uma das questões que procurei considerar foi a responsabilidade do cristão diante da vida pública. Afinal, se a fé cristã alcança todas as dimensões da existência humana, seria difícil sustentar que a política devesse constituir uma espécie de território neutro, onde as convicções cristãs precisassem ser deixadas do lado de fora. Mas como isso pode acontecer concretamente? Como um cristão pode participar da vida política sem transformar sua fé em instrumento de disputa partidária e, ao mesmo tempo, sem abrir mão dos princípios que sua consciência cristã lhe impõe?

Foi durante uma breve pesquisa relacionada àquele artigo que me deparei com a figura de William Wilberforce, parlamentar inglês do século XVIII. Confesso que, até então, sua história me era pouco conhecida. E entendi, então, que sua trajetória merecia um artigo próprio. Sua conversão ao cristianismo evangélico, sua permanência na vida política, sua luta persistente contra o tráfico de escravizados e sua compreensão da fé como fundamento para a vida pública constituem um interessante exemplo histórico de como a convicção cristã pode ultrapassar os limites da experiência individual e produzir consequências na sociedade. Não se trata, evidentemente, de transportar para o Brasil do século XXI as circunstâncias da Inglaterra de dois séculos atrás, mas de perguntar o que sua história pode nos ensinar sobre fé, vocação, política e responsabilidade cristã.

William Wilberforce viveu numa Inglaterra marcada por profundas contradições. De um lado, o século XVIII testemunhava o crescimento econômico, a expansão comercial e marítima do Império Britânico, o desenvolvimento das cidades e o fortalecimento da influência britânica no mundo. De outro, essa prosperidade estava ligada, em parte, a um sistema colonial que incluía o tráfico transatlântico de africanos escravizados e a exploração econômica das colônias. Açúcar, tabaco e outros produtos provenientes das possessões britânicas chegavam à metrópole alimentando hábitos de consumo e interesses comerciais, enquanto milhares de homens, mulheres   crianças eram arrancados de sua terra, transportados em condições desumanas e reduzidos à condição de mercadoria.

Era também uma época de grandes transformações intelectuais e políticas. O pensamento iluminista colocava em discussão antigas concepções de autoridade, sociedade e liberdade. Ao mesmo tempo, movimentos de renovação religiosa alcançavam setores da Igreja da Inglaterra. O chamado evangelicalismo inglês insistia na necessidade de uma fé pessoal, na centralidade das Escrituras, na conversão e numa vida cristã que produzisse frutos concretos na sociedade. Foi nesse ambiente contraditório que Wilberforce cresceu e iniciou sua carreira pública.

Nascido em Hull, em 1759, pertencente a uma família abastada, filho único de Robert e Elizabeth Wilberforce, William recebeu boa educação e ingressou na Universidade de Cambridge. Ali estabeleceu amizade com William Pitt, que posteriormente se tornaria primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Jovem, inteligente, eloquente e dotado de grande habilidade política, Wilberforce foi eleito para o Parlamento em 1780, aos 21 anos. A política parecia ser seu caminho natural. Entretanto, naquele momento, sua vida religiosa (cristã) ainda estava longe de possuir a profundidade que posteriormente a caracterizaria.

A mudança decisiva ocorreu alguns anos depois. Entre 1784 e 1785, Wilberforce passou por uma profunda experiência de conversão. Ele já era formalmente membro da Igreja da Inglaterra, mas sua fé havia sido, até então, em grande medida uma questão nominal e social. O encontro com o cristianismo evangélico, a leitura das Escrituras e, particularmente, sua proximidade com John Newton – antigo capitão de navio negreiro que havia se tornado pastor anglicano e autor do conhecido hino Amazing Grace – contribuíram para transformar radicalmente sua compreensão da fé cristã. Além da proximidade com o autor do hino Amazing Grace, Wilberforce, segundo FERREIRA (pág. 310), teve proximidade com Philip Doddridge, que escreveu o conhecido hino “Oh Happy Day” [3].   

Wilberforce passou a enxergar sua própria vida à luz da eternidade. Sua conversão trouxe-lhe inclusive uma crise de consciência em relação à carreira política. Por algum tempo, chegou a considerar a possibilidade de abandonar o Parlamento, imaginando que a vida política fosse incompatível com uma existência verdadeiramente cristã. Foi nesse período que John Newton teve importante participação ao encorajá-lo a permanecer onde estava. Em vez de abandonar sua vocação pública, Wilberforce deveria procurar exercê-la sob o senhorio de Cristo.

Essa compreensão seria decisiva para o restante de sua vida. Wilberforce não deixou a política para viver sua fé; levou sua fé para dentro da política. A conversão não o transformou num político menos interessado nos assuntos públicos, mas num político que passou a enxergar esses assuntos sob uma nova perspectiva moral e espiritual.

Foi nesse contexto que a questão da escravidão começou a ocupar lugar central em sua atuação. O tráfico de africanos escravizados era uma atividade profundamente enraizada nos interesses econômicos britânicos. Combatê-lo significava enfrentar comerciantes, proprietários, interesses coloniais e setores influentes da própria sociedade. Não se tratava, portanto, de uma causa simples, capaz de ser resolvida por uma votação isolada.

Wilberforce encontrou aliados importantes. Thomas Clarkson dedicou-se à investigação e à divulgação das atrocidades do tráfico; John Newton utilizou sua própria experiência para testemunhar contra o sistema que anteriormente ajudara a sustentar; Hannah More empregou sua produção literária e sua influência social; e outros cristãos evangélicos formaram uma rede de mobilização que alcançava igrejas, escritores, parlamentares e a população em geral.

Wilberforce tornou-se a principal voz parlamentar dessa campanha. Em 1789, apresentou ao Parlamento um dos seus primeiros grandes discursos contra o tráfico, procurando demonstrar que aquela prática era moralmente indefensável. A reação, entretanto, foi muito mais difícil do que talvez se pudesse imaginar. Vieram adiamentos, derrotas, resistências e argumentos econômicos. A causa abolicionista precisou enfrentar não apenas adversários políticos, mas também uma cultura que havia se acostumado a considerar normal aquilo que, à luz dos princípios cristãos e da própria ideia de dignidade humana, era profundamente injusto.

Durante anos, Wilberforce insistiu. Derrota após derrota, continuou retornando ao Parlamento. Sua trajetória demonstra que grandes mudanças sociais raramente acontecem de maneira instantânea. Algumas exigem convicção, organização, argumentação, mobilização e, sobretudo, perseverança.

Finalmente, em 1807, depois de aproximadamente duas décadas de luta, o Parlamento britânico aprovou a legislação que aboliu o tráfico de escravos no Império Britânico. É importante fazer aqui uma distinção histórica: a lei de 1807 não significou a imediata emancipação de todos os escravizados nas colônias britânicas. A escravidão propriamente dita seria abolida posteriormente, em 1833, pouco antes da morte de Wilberforce.

A vitória de 1807, contudo, não foi apenas resultado da atuação de um parlamentar. Ela foi fruto de um movimento que havia procurado modificar também a consciência da sociedade. A luta contra o tráfico esteve ligada a uma visão mais ampla de reforma moral e social. Wilberforce e seus companheiros compreendiam que uma sociedade não poderia ser verdadeiramente civilizada enquanto aceitasse a transformação de seres humanos em mercadoria.

Essa dimensão mais ampla de sua atuação é particularmente importante. Wilberforce não se limitou à questão da escravidão. Participou de iniciativas relacionadas à educação, à reforma das condições sociais e à promoção dos valores cristãos. O movimento evangélico ao qual estava ligado procurou atuar em diferentes áreas da sociedade. A fé, para Wilberforce, não deveria permanecer confinada às paredes do templo. Ela deveria alcançar a vida pessoal, a cultura, os costumes e as instituições.

Nesse sentido, sua história oferece uma reflexão especialmente relevante para o conservadorismo cristão de nossos dias. Wilberforce demonstra que a participação política do cristão não precisa significar a transformação da fé em ideologia partidária. Tampouco exige que o cristão abandone suas convicções religiosas para ser considerado um cidadão responsável. Ao contrário: sua atuação pública foi profundamente influenciada por sua compreensão cristã do ser humano, da moralidade e da responsabilidade diante de Deus.

Há aqui uma lição que merece ser considerada. O conservadorismo cristão não pode ser reduzido à defesa de determinadas pautas políticas, à preservação de interesses econômicos ou à identificação com um partido. Se pretende conservar aquilo que merece ser conservado, precisa também perguntar pelos fundamentos morais que tornam possível uma sociedade justa.

Wilberforce viveu numa sociedade que possuía instituições, leis, tradições e uma economia vigorosa, mas que tolerava uma grave injustiça. Sua postura mostra que conservar nem sempre significa simplesmente manter o estado de coisas existente. Há momentos em que a fidelidade aos princípios exige reforma. E há situações em que a defesa da dignidade humana exige enfrentar interesses poderosos, mesmo quando esses interesses estão profundamente incorporados à estrutura social.

Isso não significa transformar Wilberforce em um personagem político brasileiro do século XXI. Os contextos são diferentes, os problemas são diferentes e as circunstâncias históricas não podem ser simplesmente transportadas de uma época para outra. A lição está nos princípios.

O cristão que participa da vida pública precisa cultivar convicções, mas também prudência; precisa defender valores, mas sem transformar o adversário político em inimigo absoluto; precisa compreender que a política é importante, mas não é o Reino de Deus; precisa reconhecer a autoridade das instituições, mas também lembrar que nenhuma autoridade humana está acima da verdade e da justiça.

Wilberforce também ensina a importância da perseverança. Foram necessários muitos anos para que uma causa que parecia quase impossível alcançasse uma vitória concreta. Num tempo em que a política frequentemente é marcada pela ansiedade, pela polarização e pela expectativa de resultados imediatos, sua trajetória recorda que algumas batalhas precisam ser travadas durante anos antes que seus frutos possam ser percebidos.

Talvez esteja aí uma das maiores contribuições de sua história para o conservadorismo cristão brasileiro: a política não deve ser o lugar onde o cristão abandona sua consciência; deve ser um dos lugares onde sua consciência cristã é exercida com responsabilidade.

Wilberforce não foi perfeito, nem sua época pode ser idealizada. Mas sua vida demonstra que a fé cristã pode produzir consequências concretas na esfera pública quando está associada à convicção, à coragem e à perseverança. Ele compreendeu que possuir poder político não era um fim em si mesmo. A política era uma vocação — e uma vocação deveria ser exercida diante de Deus.

Por isso, sua história permanece atual. Não porque devamos procurar no século XVIII respostas prontas para os problemas do Brasil de hoje, mas porque a pergunta fundamental continua sendo a mesma: o que significa viver a fé cristã quando se tem responsabilidade diante da sociedade?

A resposta de Wilberforce foi dada não apenas em palavras, mas em décadas de trabalho, derrotas e perseverança. Ele entrou no Parlamento como jovem político. Saiu dele tendo ajudado a mudar a história de seu país.

E talvez essa seja a grande lição: a fé genuína não retira necessariamente o cristão da praça pública; ela pode levá-lo a entrar nela com uma consciência renovada, sabendo que, acima dos interesses políticos, existem princípios pelos quais vale a pena lutar.

Veja também:

Notas:

  • [1] FERREIRA, Franklin. Servos de Deus: espiritualidade e teologia na história da Igreja. São José dos Campos/SP: Fiel, 2014, pág.309. Outras fontes acerca de Wilberforce, foram filtradas, via I. A. CHATGPT: históricas institucionais do Parlamento Britânico, e acadêmicas e biográficas, extraídas da Oxford Academic... Acesso em: 03/09/2026.

  • [2] WILBERFORCE, William. Pintura à Óleo, de John Rising, 1790. National Portrait Gallery.
  • [3] Philip Doddridge (1702–1751) foi pastor e escritor inglês, além de autor de numerosos hinos. Entre eles está “O Happy Day, That Fixed My Choice”, posteriormente conhecido, em versões adaptadas, como “Oh Happy Day”. Sua obra The Rise and Progress of Religion in the Soul, publicada originalmente em 1745, exerceu grande influência na espiritualidade evangélica inglesa e foi lida por William Wilberforce juntamente com seu amigo Isaac Milner.