Blog do Amorim

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3 de novembro de 2026

Sentimentos!

“Os sentimentos vão e vêm, e a maioria deles é enganosa. Deixe que a Palavra de Deus seja o seu firme fundamento” (C. S. Lewis).

“Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque em ti confia” (Isaías 26.3).

Sentimento é uma expressão que carrega muitos sentidos ou significados. Por isso, costumamos usá-la no plural. Um destes significados para "sentimentos", que achei bem abrangente, diz ser: “... estados afetivos duradouros que surgem como resposta à forma como percebemos e interpretamos experiências, situações e memórias. Eles envolvem a atividade mental consciente e estão profundamente ligados à nossa história de vida, valores e relações pessoais” [1].

Diante disso, qual o meu ou o seu “estado de espírito” hoje?

Você já ouviu expressões do senso comum como “mente vazia, oficina do diabo”, “quem canta seus males espanta”, “a paciência tem limite” ou sobre alguém estar “com a cabeça nas nuvens” e com o “coração leve, vida leve”?

Já ouviu também ou leu na Bíblia expressões como: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate” (Pv 15.13); “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos” (Pv 17.22); “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.7) ou ainda: “Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10)?

Seja na sabedoria popular das ruas ou nas páginas milenares das Escrituras Sagradas, a humanidade sempre buscou traduzir em palavras aquilo que acontece no seu íntimo. Essas frases revelam uma verdade universal: o nosso estado de espírito não é apenas uma reação automática ao mundo exterior, mas o filtro invisível através do qual escolhemos enxergar e viver a realidade. Compreender a mecânica por trás dos nossos sentimentos é, portanto, o primeiro passo para governar a própria vida.

Como cristão conservador, tenho sido acometido, na última semana, de um sentimento de incerteza que tem tomado conta de meus pensamentos. São muitas dúvidas e uma aparente falta de perspectiva de melhoras para o futuro em nosso país, sobretudo nos aspectos político, econômico, social e cultural. Em meio a esse cenário, encontrei eco para o meu estado de espírito na máxima filosófica que diz: “o solo da dúvida é desconfortável, mas é o único lugar onde a coragem consegue criar raízes”. Essa transição do desconforto para a coragem exige que não nos deixemos abater e, acima de tudo, que não percamos a racionalidade. Historicamente, foi nessa mesma linha que René Descartes conectou a dúvida à própria racionalidade ao formular a "Dúvida Metódica" e concluir em sua célebre frase: “Cogito, ergo sum” (Penso, logo existo) [2]. A dúvida, portanto, não deve nos paralisar na angústia, mas acionar o nosso raciocínio para analisar a realidade com clareza.

Para o cristão, contudo, a razão e a lucidez intelectual são apenas o ponto de partida. Diante da instabilidade institucional e da inversão de valores na cultura, somos chamados a lembrar que o Deus a quem servimos soberanamente detém o controle de toda a história humana. As Escrituras não nos deixam órfãos de direção sobre como agir em relação ao governo e às estruturas da sociedade. Na esfera política, o apóstolo Paulo nos exorta em Romanos 13 a reconhecer que não há autoridade que não proceda de Deus, orientando-nos em 1 Timóteo 2.1-2 a orar por aqueles que exercem o governo, para que possamos viver uma vida mansa e pacífica. Essa postura não é de passividade, mas de um posicionamento consciente e ordeiro, que rejeita o caos e promove a justiça à luz dos mandamentos divinos.

No que tange à economia e ao bem-estar social, a sabedoria teológica nos ensina que o trabalho honesto, a propriedade e o cuidado com o próximo são ordenanças divinas desde o Gênesis. Mesmo quando as políticas econômicas geram incerteza e inflação, a Bíblia nos instrui a manter a integridade, a sermos diligentes e a confiarmos na providência, lembrando que "o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades" (Filipenses 4.19). Culturalmente, em tempos de relativismo e crise moral, a nossa ação deve ser a de exercer o papel de "sal da terra e luz do mundo" (Mateus 5.13-14), preservando a verdade através do exemplo, da defesa da família e dos valores inegociáveis da nossa fé.

Caminhando para o desfecho desta reflexão, compreendemos que o equilíbrio do cristão maduro reside justamente em não balizar sua vida pela instabilidade das emoções humanas. Como bem nos advertiu C.S. Lewis, os sentimentos podem ser terras movediças em tempos de crise, mas a nossa segurança repousa no firme fundamento da soberania divina. A razão, portanto, nos mantém firmes no chão da realidade, permitindo-nos analisar os fatos com lucidez e sem ilusões ideológicas. Por outro lado, a fé nos mantém conectados ao céu das possibilidades, capacitando-nos a agir com esperança viva mesmo quando as circunstâncias terrenas dizem o contrário. Ao unirmos a mente vigilante à confiança inabalável expressa pelo profeta Isaías, encontramos a perfeita paz que guarda o nosso propósito. É esse alinhamento entre a razão inteligente e a fé inabalável que nos impede de sermos levados pelos ventos de incerteza, firmando nossos passos na rocha eterna que nenhum governo, crise ou cultura pode abalar.

Que Deus, o nosso Pai, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, nos abençoe ricamente. Que neste final de 2026, ao longo de todo o ano de 2027, e até o dia em que o Senhor nos permitir caminhar nesta terra, os nossos sentimentos, pensamentos e ações sejam profundamente moldados pelo Espírito Santo. Amém!

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Notas:

  •  [2] Como já falamos neste e neste outro artigos. Também dedicamos um bom espaço sobre o chamado racionalismo cartesiano no capítulo 6 do meu livro, citado  acima.

30 de outubro de 2026

Eleições (3): votações para presidente: Primeiro e Segundo turnos

A Constituição de 1988 determina o sistema de eleições em dois turnos para os cargos majoritários do Executivo, como Presidente da República, Governadores e Prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores. Já falamos aqui, das votações para candidatos a Presidente da República no primeiro turno. Agora, falaremos das votações apenas para os dois candidatos que foram para o segundo turno, mas comparando os votos válidos recebidos nos dois turnos.

Veja a planilha em anexo:

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= Votações: Flávio e Lula - 1º e 2º turno - 2026 =

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Com base nas apurações – primeiro e segundo turnos –, que destacamos na planilha, queremos fazer alguns destaques:

·  Votos válidos: Primeiro turno, 119.300.788 votos e segundo turno, 124.082.273, um aumento de 4.781.485 votos no segundo turno.

·    Votos no Flávio (PL): Primeiro turno, 56.104.503 votos e segundo turno, 59.826.041 votos.

·    Votos no Lula (PT): Primeiro turno, 53.879.538 votos e segundo turno, 64.256.232 votos.

·   Enquanto Flávio teve apenas um acréscimo de 3.721.538 votos, no segundo turno, Lula teve um aumento de 10.376.694 votos.

·   Os votos correspondentes a outros candidatos que concorreram no primeiro turno foram 9.316.747. Isto significa que um número maior de votos do que estes foi para Lula no segundo turno. Além disso, no Sul, por exemplo, região mais conservadora (direitista) do Brasil, Lula teve 1.332.846 votos a mais no segundo turno. E em São Paulo, ele obteve 2.613.861 votos a mais.

·    Segundo a Folha de S.Paulo de 27 de outubro de 2026, Flávio teve zero (0) votos em 106 urnas, sendo 65 no Norte; 29 no Nordeste; 6 no Centro-Oeste; 6 no Sudeste e 3 no Sul. Em contrapartida, estas urnas computaram 14.860 votos válidos destinados a Lula.

·  Segundo dados filtrados, via I.A-Google, Folha, TSE, Lula obteve a virada em nível municipal e conseguiu reverter o placar e vencer no segundo turno em 211 cidades onde Flávio Bolsonaro havia liderado no primeiro turno. As maiores cidades e capitais onde essa virada do primeiro para o segundo turno aconteceu foram: Rio de Janeiro (RJ), a maior cidade a mudar de lado no segundo turno; Osasco (SP), Cotia (SP) e Araraquara (SP). Juntas, estas cidades deram 467.731 votos a mais para Lula no segundo turno.

·   No estado de Minas Gerais, enquanto Flávio foi vitorioso no primeiro turno, acabou sendo derrotado no segundo, com uma perda de 464.238 votos, enquanto Lula, que foi derrotado no primeiro turno, foi vitorioso no segundo, com 1.162.163 votos a mais.

·   E mais – voto por biometria: o jornalista Cláudio Dantas (aqui) destaca que “mais de 18 milhões de votos tiveram problemas com biometria”, violando inclusive o Estatuto do Idoso. O TSE defende que o Brasil possui o melhor sistema eleitoral do mundo. E como isto pode acontecer? Como “... o melhor sistema eleitoral do mundo permite que o (um) mesário mal-intencionado vote em nome de uma pessoa?”, pergunta Cláudio Dantas.

Ficamos por aqui! Afinal, como vimos na foto acima a inscrição ELEITO já identifica Lula reeleito para mais 4 anos! Além do mais, “O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial e afirmou que o pleito ocorreu com segurança e não há o que contestar...” (Fonte: Senado). Se tudo transcorreu bem e não há o que contestar... então tá!

22 de outubro de 2026

O Contrato da Consciência: Ética, Lei e a Natureza Humana no Cenário Brasileiro

O dito popular “achado não é roubado” sintetiza uma tendência do senso comum em relativizar a moralidade em benefício do ganho individual. No entanto, essa máxima colide imediatamente com uma lógica racional e empírica evidente: se algo foi perdido por alguém, é porque intrinsecamente possui um dono. Esse choque cotidiano demonstra que a conveniência pessoal frequentemente tenta nublar a percepção da justiça, transformando um ato de apropriação indébita em uma falsa transmissão legítima de posse.

A despeito dessas racionalizações cotidianas, a capacidade de decifrar o correto independe de erudição ou de títulos acadêmicos. Como aponta a tradição teológica em Romanos 2.14, o ser humano possui uma lei natural inscrita no coração, a qual confere ao homem comum a faculdade de discernir entre o certo e o errado por meio da consciência. Há, portanto, uma bússola moral intuitiva que precede os códigos jurídicos escritos, funcionando como um tribunal íntimo que alerta o indivíduo sobre seus deveres para com o outro.

Contudo, a vida em comunidade não pode depender exclusivamente das consciências individuais, exigindo normas, leis e princípios que organizem a convivência coletiva. É nessa transição do privado para o público que a ética deixa de ser apenas uma escolha pessoal e assume um papel fundamental na construção da vida social. Sem balizas institucionais que traduzam a moralidade em regras de conduta obrigatórias, a harmonia social naufragaria na subjetividade das interpretações particulares sobre a justiça.

Ao observar a formação da sociedade brasileira, nota-se que a estruturação desses valores públicos foi marcada por múltiplas influências culturais, históricas e religiosas. A herança da tradição judaico-cristã, legada pela colonização europeia, exerceu um papel decisivo na edificação dos costumes, das primeiras leis e das instituições nacionais. Essa base religiosa consolidou, no imaginário do país, noções de pecado, culpa, caridade e dever que moldaram as relações sociais por séculos.

Com o passar do tempo, esses elementos originais foram combinados com as matrizes indígena e africana, além de sucessivas correntes migratórias, resultando em uma sociedade profundamente plural e diversa. Se, por um lado, essa hibridização enriqueceu a cultura nacional, por outro, gerou profundas tensões estruturais. Em uma nação multiétnica, os consensos morais absolutos fragmentam-se, tornando indispensável a busca por uma ética laica e pública que possa arbitrar os conflitos entre visões de mundo distintas.

Nesse cenário complexo, a mera existência da lei não basta, sendo urgente debater a relação profunda entre ética e legislação. O império da lei deve garantir a segurança jurídica e a previsibilidade, mas o direito positivo frequentemente encontra limites morais, sintetizados pelo brocardo latino "Non omne quod licet honestum est" (Nem tudo o que é lícito é honesto). A legalidade formalista desprovida de justiça pode mascarar abusos, tornando vital o princípio da Isonomia para assegurar que a lei trate de forma idêntica os iguais, mitigando privilégios históricos.

Essa necessidade de amparo legal coercitivo remete diretamente ao pensamento político clássico de Thomas Hobbes em sua obra Leviatã (1651). O filósofo inglês argumentava que a natureza humana, quando desprovida de freios externos, é governada pelo egoísmo e pela busca incessante de poder, gerando um estado de guerra de todos contra todos. Para Hobbes, o homem é um lobo para o próprio homem, incapaz de cooperar de forma pacífica se não houver um limite soberano que o contenha.

Hobbes também identificava que a fragilidade humana nivela os indivíduos de forma trágica, pois mesmo o homem mais forte jamais estará totalmente seguro. A assimetria de forças físicas é anulada pela astúcia, uma vez que o mais fraco pode abater o mais forte por meio de uma "secreta maquinação" ou por alianças oportunistas com terceiros. O medo constante da morte violenta e a paranoia generalizada convertem o estado de natureza em um ambiente insustentável e miserável.

É precisamente do pavor dessa vulnerabilidade mútua que nasce o Contrato Social, pacto no qual os indivíduos renunciam à sua liberdade plena em troca de paz e segurança. Todavia, consciente de que a inclinação humana tende à quebra dos acordos quando há vantagem pessoal, Hobbes determinou que a ética abstrata é insuficiente; tornou-se imperativo instituir o Estado. Este corpo artificial e soberano detém o monopólio da força para garantir que os pactos sejam efetivamente cumpridos sob o medo da punição.

No cenário brasileiro contemporâneo, esse diagnóstico hobbesiano sobre a fragilidade dos acordos e a necessidade do Estado lança luz sobre o profundo dilema enfrentado pelo movimento conservador no país. Historicamente ancorado na defesa da ordem social, da tradição judaico-cristã e da preservação das instituições tradicionais como a família e a igreja, o conservadorismo nacional se vê diante de um paradoxo estrutural. Ao mesmo tempo em que a direita contemporânea adota uma agenda econômica de forte inclinação liberal – que prega a desregulamentação, a autonomia do mercado e a limitação do poder estatal –, ela esbarra na percepção crônica de que o tecido moral da sociedade está esgarçado pelo egoísmo e pela criminalidade. Esse impasse gera uma contradição discursiva: o desejo libertário de afastar o Estado da economia colide com o clamor conservador por um Leviatã robusto, centralizador e coercitivo, capaz de restabelecer a segurança pública, punir infrações éticas (como o "jeitinho") e impor a ordem por meio do monopólio da força.

Assim, o grande desafio teórico e prático do conservadorismo no Brasil reside em equilibrar o ceticismo burkeano – relativo a Edmund Burke, considerado o “pai do conservadorismo” – em relação ao poder do governo com a constatação pragmática de Hobbes de que, sem um Estado forte, os pactos não passam de palavras vazias. Em uma nação marcada por pluralidade cultural e profundas assimetrias históricas, depender exclusivamente da "lei natural gravada nos corações" – como sugeria a ótica paulina – tem se mostrado insuficiente para conter as maquinações e a violência cotidiana no ambiente público. Para consolidar sua integridade e relevância, os conservadores enfrentam a urgência de defender um arranjo onde a isonomia e a segurança jurídica não sirvam apenas como ferramentas repressivas, mas como salvaguardas institucionais estruturadas. O dilema atual, portanto, é traduzir a moralidade intuitiva em uma governabilidade eficaz, garantindo que o aparato estatal brasileiro funcione de maneira justa e previsível, sem sufocar a liberdade e as próprias tradições que os conservadores buscam preservar...


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O texto acima está em sintonia com o capítulo 9: “Ética e vida em sociedade” (pág. 218 a 233...), de meu livro: Fé, Cultura e Razão: Fundamentos Éticos da Cosmovisão Protestante.

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13 de outubro de 2026

Eleições (2): votações para presidente da república - Primeiro Turno

 

A Constituição Federal de 1988, conhecida como a "Constituição Cidadã", restabeleceu a democracia no Brasil e definiu as regras fundamentais do nosso sistema político. Entre os seus principais pilares está a divisão e a harmonia entre os três Poderes da União: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo. Essa estrutura visa garantir o equilíbrio democrático, impedindo a centralização de forças e assegurando que cada esfera atue dentro de suas competências constitucionais.

Dentro desse arranjo, o Poder Executivo Federal assume um papel central na administração do Estado e na execução de políticas públicas. Chefiado pelo Presidente da República, o Executivo não apenas gerencia a máquina pública e o orçamento, mas também representa o país internacionalmente e possui a prerrogativa de propor leis e governar em nome dos anseios populares. Devido à magnitude desse cargo, a Carta Magna dedicou regras rigorosas para a escolha de seu representante.

Foi justamente a Constituição de 1988 que consolidou o sistema de eleições em dois turnos para os cargos majoritários do Executivo, como a Presidência. Esse mecanismo exige que o candidato vitorioso obtenha a maioria absoluta dos votos válidos (mais de 50%) para ser eleito logo na primeira etapa. Caso nenhum postulante alcance essa marca no primeiro domingo de outubro, a disputa se estende para uma nova votação, garantindo maior legitimidade popular ao governante escolhido.

Diante da ausência de maioria absoluta na primeira etapa, o ápice desse processo democrático se materializa no dia 25 de outubro, data marcada para o segundo turno das Eleições de 2026. Neste dia, o eleitorado retorna às urnas para a decisão final entre os dois candidatos mais votados no início do mês. Esse momento crucial define quem assumirá as rédeas do Poder Executivo Federal, consolidando a soberania popular projetada pelos constituintes de 1988.

Confira o desempenho detalhado de Flávio, Lula e demais candidatos por estado e região, e entenda as bases eleitorais que definirão o novo chefe do Executivo Federal no segundo turno, em 25 de outubro.

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Votações para presidente - 1º Turno

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9 de outubro de 2026

Eleições 2026 (1): Poder Legislativo Federal

 


As eleições de 2026 no Brasil determinam a nova composição do Poder Legislativo, incluindo a renovação de cadeiras no Senado Federal e a totalidade das vagas para Deputados Federais, além da composição das Assembleias Legislativas em todas as Unidades da Federação. Destacamos no arquivo em anexo as composições do Senado e da Câmara dos Deputados, ou seja, o Legislativo Federal.

Acesse:


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Eleições 2026 (1): Poder Legislativo Federal

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2 de outubro de 2026

O credo petista é irreconciliável com a fé cristã

Por: Franklin Ferreira

Conservadores e religiosos foram satirizados em desfile que homenageava Lula no carnaval
carioca de 2026. Foto: Antonio Lacerda/EFE)


Católicos e protestantes podem divergir legitimamente sobre economia, impostos, tamanho do Estado, políticas sociais, segurança pública e muitas outras questões políticas.

Isso, porém, não significa que todas as escolhas políticas sejam moralmente equivalentes. A fé cristã estabelece convicções que alcançam necessariamente a vida pública: a dignidade da vida humana, a família, a ética sexual, a responsabilidade dos pais na educação dos filhos, a liberdade religiosa e de consciência, a proteção dos vulneráveis e os limites do poder político.

É à luz dessas convicções que o Partido dos Trabalhadores deve ser examinado. A pergunta que deve orientar os cristãos é simples: o projeto político do PT é compatível com os fundamentos da ética cristã histórica?

A vida humana não é uma questão secundária

Para católicos e protestantes, proteger a vida humana inocente não é uma “pauta de costumes”. É consequência direta da doutrina da criação: todo ser humano porta a imagem de Deus. Por isso, a defesa do mais vulnerável, inclusive no ventre materno, pertence ao coração da ética cristã.

É justamente aqui que surge um conflito concreto com posições promovidas pelo PT. O atual programa Lula-Alckmin reafirma a defesa dos “direitos sexuais e reprodutivos”, enquanto o próprio partido divulgou, em 2025, propostas aprovadas na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, entre elas “legalizar e implementar o aborto universal e humanizado em todos os serviços do SUS”. O Ministério da Saúde, por sua vez, afirma atualmente que o aborto deve ser tratado como condição de saúde pública “sem julgamentos”, embora reconheça as três hipóteses previstas na legislação brasileira.

Para a ética cristã, porém, a pretensão de transformar o aborto em um “direito de escolha” da mulher não pode se sobrepor ao direito à vida daquele que ainda não pode falar nem se defender. A pergunta que permanece é simples e decisiva: quem protege o nascituro? Nesse ponto, o conflito não é periférico. É moral, antropológico e profundamente cristão.

Família e sexualidade: duas antropologias em conflito

A divergência não diz respeito apenas a políticas públicas específicas, mas à própria compreensão do ser humano.

Católicos e protestantes possuem diferenças importantes, mas convergem nos fundamentos da antropologia cristã: Deus criou o ser humano homem e mulher; o corpo e o sexo possuem significado dado pelo Criador; o casamento é a união entre homem e mulher; e a família é uma realidade anterior ao Estado. A sexualidade, portanto, não é definida pelos desejos ou pelas escolhas do indivíduo.

O PT parte de pressupostos distintos. Seus documentos e políticas incorporam conceitos de identidade de gênero, diversidade sexual e autodeterminação, promovidos como expressão de direitos e combate à discriminação.

Cristãos devem defender a dignidade de toda pessoa e condenar violência, humilhação e injustiça contra homossexuais ou qualquer outro grupo. Isso, porém, não exige aceitar uma concepção do ser humano incompatível com a doutrina cristã da criação.

Estamos, portanto, diante de duas antropologias distintas. A questão é qual compreensão de pessoa, corpo, sexo, casamento e família será transformada em política de Estado.

Quem tem o direito de educar nossos filhos?

Na educação, as consequências dessas duas concepções tornam-se particularmente claras. Para a tradição cristã, católica e protestante, os pais são os primeiros responsáveis pela educação e formação moral dos filhos. O Estado tem responsabilidades importantes, mas não é proprietário das crianças nem pode substituir a consciência e a autoridade da família.

O problema surge quando a escola deixa de se limitar à transmissão do conhecimento e passa a ser utilizada para formar crianças segundo concepções ideológicas sobre sexo, gênero, sexualidade e família. Políticas defendidas pelo PT incorporam essas categorias à educação e às ações governamentais, transformando questões profundamente controversas em conteúdo a ser promovido pelo poder público.

Ensinar uma criança a respeitar todas as pessoas é dever elementar de civilidade. Outra coisa é ensinar como verdade uma determinada concepção de identidade, corpo e sexualidade e tratar as convicções cristãs como preconceito a ser superado.

Para famílias católicas e protestantes, portanto, a questão é fundamental: a quem pertence a responsabilidade primária pela formação moral dos filhos – aos pais ou ao Estado?

Liberdade religiosa é mais do que liberdade de culto

Liberdade religiosa não significa apenas manter igrejas abertas e permitir cultos aos domingos. Significa também assegurar aos cristãos o direito de professar, ensinar e defender publicamente aquilo em que creem.

O conflito surge quando convicções cristãs sobre casamento, sexualidade e identidade humana são confrontadas com concepções cada vez mais amplas de discriminação. O Estado deve proteger homossexuais contra violência, perseguição e injustiça. Mas deve igualmente proteger o padre, pastor, professor ou cidadão cristão que afirma publicamente que o casamento é a união entre homem e mulher e que a sexualidade possui limites morais estabelecidos por Deus.

O problema começa quando discordância moral passa a ser tratada como discriminação e, consequentemente, como conduta a ser reprimida pelo Estado.

Por isso, propostas legislativas e políticas defendidas pelo PT nessa área exigem atenção especial dos cristãos. A questão não é simplesmente se o governo fechará igrejas. É muito mais profunda: continuará existindo liberdade para os cristãos permanecerem fiéis às suas convicções quando estas contrariarem a moral promovida pelo Estado?

Corrupção, poder e instituições

A corrupção é uma questão moral fundamental para a tradição cristã. A Escritura condena o suborno, a perversão da justiça e o abuso de autoridade, exigindo integridade daqueles que exercem o poder.

O histórico dos governos petistas inclui graves escândalos de corrupção. No mensalão, o próprio STF condenou dirigentes do PT, entre eles José Dirceu e José Genoino. A Lava Jato, por sua vez, revelou esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras, operadores e políticos de diversos partidos. Mais recentemente, as investigações sobre as fraudes no INSS produziram novos desdobramentos, incluindo um inquérito da PF sobre suspeitas envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula.

Também preocupa a proximidade entre poder político e Judiciário. Toffoli foi advogado do PT; Zanin, advogado pessoal de Lula; Dino, seu ministro da Justiça. Somados às controvérsias provocadas por decisões recentes desses ministros em questões políticas, esses vínculos alimentam questionamentos sobre independência e imparcialidade do STF.

A exigência bíblica permanece: governantes devem prestar contas, juízes devem agir com imparcialidade e nenhuma autoridade está acima da lei. Corrupção, abuso de poder e instrumentalização das instituições são incompatíveis com a justiça que os cristãos devem exigir de qualquer governo.

O problema dos regimes totalitários

Há ainda uma contradição que deveria preocupar especialmente os cristãos: a proximidade do PT com regimes totalitários ideologicamente próximos.

Em janeiro de 2026, a Executiva Nacional do partido manifestou “total apoio” a Cuba e reafirmou sua defesa da “Revolução Cubana e seus ideais de justiça social”. Na Venezuela, mesmo após anos de repressão e autoritarismo de Nicolás Maduro, o PT condenou a captura do ditador pelos Estados Unidos e manifestou solidariedade ao regime.

Não há justificativa moral para silenciar diante de ditaduras que perseguem opositores, censuram a imprensa, manipulam eleições, controlam instituições, reprimem dissidentes e restringem a liberdade religiosa e de consciência.

Afinidades ideológicas ou interesses geopolíticos tampouco justificam a proximidade com China, Rússia e Irã ou com o grupo terrorista Hamas. A contradição é particularmente evidente quando um partido que se apresenta no Brasil como defensor dos direitos dos homossexuais mantém relações políticas com governos que reprimem essas mesmas pessoas.

Para o cristão, o princípio deve ser claro: nenhuma ditadura se torna moralmente aceitável por invocar socialismo, anti-imperialismo ou justiça social. A tirania continua sendo tirania, qualquer que seja sua bandeira.

O voto também é uma questão de consciência

O cristão não entra na cabine eleitoral deixando sua fé do lado de fora. O voto é também um ato de consciência e, portanto, deve estar submetido às convicções que professamos diante de Deus. Afinal, votar tem consequências concretas: elegemos pessoas que tomarão decisões sobre vida, família, educação, liberdade religiosa, justiça, segurança e os limites do poder estatal.

Também não devemos idealizar candidatos como se estivéssemos escolhendo clérigos ou modelos de perfeição moral. Não elegemos pastores, mas presidentes, senadores e deputados para exercer funções civis. Como Victor Davis Hanson tem observado, apoiar um político não significa canonizar sua vida pessoal. É preciso considerar seu caráter, mas também o que fará no cargo: as políticas que promoverá, as pessoas que nomeará e as instituições que fortalecerá ou enfraquecerá. Exigir perfeição moral dos candidatos é ingenuidade; ignorar seus princípios, suas propostas e as consequências de sua eleição também é.

À luz do que examinamos, as divergências entre princípios históricos do cristianismo e posições assumidas pelo PT alcançam questões fundamentais: vida nascente, sexualidade, família, autoridade dos pais, liberdade de consciência, corrupção, independência das instituições e relações com regimes totalitários. Políticas sociais consideradas positivas não eliminam essas divergências.

João Calvino advertiu aqueles que receberam a liberdade de escolher seus governantes: “E vós, ó povos, a quem Deus deu a liberdade de escolher seus próprios magistrados, cuidem-se de não se privarem deste favor, elegendo para a posição de mais alta honra, patifes e inimigos de Deus”.

A questão decisiva, portanto, não é qual partido ou candidato é perfeito. Nenhum é. É outra, mais séria: à luz daquilo que creio diante de Deus, a quem posso entregar meu voto sem contradizer os princípios da fé que professo?

O voto é secreto, mas a responsabilidade moral de quem vota não.

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Fonte:

FERREIRA, FRANKLIN. O credo petista é irreconciliável com a fé cristã. In. Gazeta do Povo, 1º/10/2026. Texto e imagem disponíveis em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/franklin-ferreira/plataformas-pt-incompativeis-cristianismo/. Acesso em: 02/10/2026